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CASA DO BARÃO DE MAUÁ

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Única casa construída para uso próprio de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, em 1854. A residência conserva linhas neoclássicas sóbrias e telhado escondido por beirais de alvenaria, estilo característico do Segundo Império.

O prédio acabou sendo empregado no pagamento de parte da dívida dos credores, quando da falência de Mauá em 1878.

Devido a estes problemas financeiros, a casa de Petrópolis foi vendida ao Sr. Alberto de Faria, sogro do pensador católico, Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athayde, que passou longas temporadas na residência.

Na década de 1950/60, Vinícius de Moraes, na ocasião casado com a Sra. Lucinha Proença, descendente de Alberto de Faria, também veraneou no antigo palacete de Mauá. Aí compôs “Pobre Menina Rica” em parceria com Carlos Lira, como também “Apelo”.

Barão de Mauá - O Empreendedor do Império

Irineo Evangelista de Souza, mais conhecido pelos títulos de nobreza de Barão e Visconde de Mauá, representou na história do segundo reinado, importantíssimo papel como homem de excepcional visão nos setores comercial e industrial do Brasil.


Irineo Evangelista de Souza nasceu em Arroio Grande, município de Jaguarão-RS, em 28 de dezembro de 1813. Órfão de pai, viajou para o Rio de Janeiro-RJ em companhia de um tio, capitão da marinha mercante. Aos 11 anos empregou-se como balconista de uma loja de tecidos. Em 1830 passou a trabalhar na firma importadora de Ricardo Carruthers, que lhe ensinou inglês, contabilidade e a arte de comerciar. Aos 23 anos tornou-se gerente e logo depois sócio da firma.

Em 1839, Irineo voltou ao sul para buscar sua mãe, irmã e sobrinha, Maria Joaquina de Souza Machado, com quem se casou dois anos depois, ela com 15 anos, tiveram 18 filhos dos quais sobreviveram 10.

A viagem que fez à Inglaterra em busca de recursos, em 1840, convenceu-o de que o Brasil deveria caminhar para a industrialização. Alguns anos mais tarde, inspirado no que havia visto, decidiu liquidar seu estabelecimento comercial e comprar uma fundição localizada na Ponta da Areia, em Niterói, onde funcionava também um pequeno estaleiro. Justificando essa aquisição, disse: “ A indústria que manipula o ferro, sendo mãe de todas as outras, me parecia o alicerce da aspiração”.

Em 1845 Irineo tomou a frente do ousado empreendimento de construir os estaleiros da Companhia Ponta da Areia, com que iniciou a indústria naval brasileira. Lá também fabricaram-se os encanamentos destinados aos rios Maracanã e Andaraí Grande e os lampiões de ferro destinados à iluminação a gás na cidade do Rio de Janeiro. No estaleiro, durante a administração de Irineo, foram fabricados 72 navios, dos quais muitos tiveram participação ativa nas guerras platinas.

Como banqueiro iniciou sua atividades em 1851, quando fundou, na cidade do Rio de Janeiro, o Banco do Brasil. No entanto, ao perceber que a organização fugia dos objetivos para os quais fora criada, isto é, servir a nação, Irineo recusou o cargo de diretor e tratou de fundar seu próprio estabelecimento – a Casa Mauá Mac Gregor & Cia, que começou a operar em 1854 com grande acolhida do comércio. Nesta época, Irineo era o maior empresário e um dos maiores financistas do Império.

Em 1852, Irineo negociou com o governo imperial a concessão para a construção da primeira estrada de ferro do Brasil.

A inauguração oficial da E.F. Mauá se deu em 30 de abril de 1854. Sua denominação partiu de D. Pedro II, mas na verdade seu nome oficial era Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro Petrópolis. Tinha uma extensão de 14,5 km, e seu trecho inicialmente era compreendido entre a Praia da Estrela e Fragoso, no Estado do Rio de Janeiro. Em 16 de dezembro de 1856, finalmente a ponta dos trilhos chegava à Raiz da Serra, ficando assim a ferrovia com 15,19 km.

Em virtude desse empreendimento, Irineo Evangelista de Souza foi agraciado com o título nobiliárquico de Barão de Mauá, por ser Mauá o nome do antigo Porto da Estrela.

Outros feitos importantes de Mauá foram: a incorporação da Cia de Navegação e Comércio do Amazonas, mediante Decreto de 1852, que lhe concedeu o privilégio exclusivo de 30 anos para explorar a navegação naquele rio; a construção da Estrada de Ferro Santos – Jundiaí, mais tarde chamada São Paulo Railway. Esta empresa foi um dos grandes motivos de sua falência, por não ter sido reembolsado na quantia que havia emprestado.

Em 1872 explorou o serviço de telégrafo entre Brasil e Portugal, recebendo o título de Visconde de Mauá.

Em 1875, o Visconde tentou junto ao Banco do Brasil um empréstimo para saldar suas dívidas, porém só conseguiu uma moratória de 3 anos. Começa a enfrentar dificuldades financeiras e em 1878 decreta falência. Em 1884 consegue a sua reabilitação comercial, após pagar as dívidas.

Mauá morrera a 21 de outubro de 1889, aos 75 anos, de diabetes, menos de um mês antes da queda do Império para cujo desenvolvimento, no terreno dos transportes, tanto havia trabalhado e sofrido. Seus despojos mortais foram levados de Petrópolis para o Rio de Janeiro e assim, "na sua última viagem, num trem da The Rio de Janeiro & Nortern Railway, o corpo do Visconde de Mauá atravessa, frio e inerte, a estrada de ferro à qual, nos ardentes dias de entusiasmo industrial, ele dera a vida". Foi enterrado no cemitério da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco, no Catumbi.

Apesar da insuficiência de recursos e incompreensão dos homens, Mauá deixou aos brasileiros um forte exemplo de determinação, de espírito empreendedor e de confiança em nosso país.

Construção em estilo neoclássico iniciada em 1854, quando o Barão e posteriormente Visconde de Mauá, Irineu Evangelista de Souza construía a primeira estrada de ferro do Brasil. Grande financista e homem de negócios com espírito empreendedor, Mauá foi uma das maiores figuras do Império. Foi vendida em leilão quando da falência de Mauá. Nesta casa Vinícius de Moraes, casado então com Lúcia Proença, dona da propriedade, passou temporadas, e compôs algumas de suas obras.